Ressaca pós-relacionamento
Estou só. Sinto um vazio dentro de mim. Ele foi embora e enviuvou minhas
entranhas. Sangrou minhas veias. Tampou o ar da garganta. O comodismo não é
companhia, eu sei, mas a solidão é pior. Quero o mal-estar de volta. Quero o embrulho no estômago. Quero deitar acompanhado no fim do dia. Quero o contágio.
Quero falar de boca cheia. Ele chegou fazendo alarde. Inundou meu corpo com
pronunciamentos. Tomou conta de mim e se instalou como uma epidemia. Me disseram
que com o tempo ele poderia transbordar. Atingir proporções que iriam além da
minha baixa estatura.
Por isso eu sabia que, desde sempre, a sua morte era
anunciada. Mas agora que estou só, comigo mesmo, me sinto nu. Sou o senhor das
minhas ânsias e cadê elas? Quem vai sanar a saudade da erupção? Quem vai
provocar os espamos que avisam que um corpo está vivo? Preciso digerir, é o que
dizem os médicos. Eles tiraram o parasita que morava dentro de mim. Disseram que
ele poderia ter vindo de carona em um salmão. E esses pensamentos que saíram
junto? Estavam onde? No saquê?
HOJE EU SOU A TRINITY....!!!


Nenhum comentário:
Postar um comentário